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Sobre os Powerpoints ridículos que você recebe por e-mail

Allan,

Isso é sobre oque falávamos outro dia.Talvez você agora entenda o que eu quis dizer.O texto que segue abaixo, na verdade era um “PowerPoint” que recebi. Eu procurei na internet ele escrito em texto, mas não encontrei.

E então, eu tive que escrever TODO o PowerPoint, só pra colocar aqui. E dizer minhas observações e explicar o que eu quis dizer a você.

As pessoas que eu conheço, as pessoas que se julgam mais tecnológicas, mais instruídas ou mais inteligentes, NÃO ASSISTEM POWERPOINT´s com musiquinhas e bobeirinhas. Elas têm preconceito. Se sentem envergonhadas.EU assisto TODOS os PowerPoint que recebo. Seja idiota ou não, com música, sem música, com casa de gente famosa, carro de Londres, piada, foto, mensagem de amigo, prece, oração, ameaça. Até mesmo os 14 que minha tia evangélica manda toda semana. Eu não tenho preconceito.

Primeiro porque ler nunca é demais. Eu não tenho preguiça de ler. E qualquer coisa que você leia, seja um PPS ou um livro de física quântica, você tem que julgar se concorda com não com a informação que leu. Existem vários livros de física quântica com informação “de caráter duvidoso” (vulgo, uma porcaria).

Esse PowerPoint que estão escrevi, não deixa de ser ridículo como tantos outros. Mas EU LEIO. Não importa a maneira como você diz as coisas, ou o formato em que está a informação. É sobre a essência do que fala. Eu já vi PowerPoint ridículo mais incrível. Agora o motivo que eu sempre quis dizer a minha opinião sobre isso, e por isso que estou escrevendo aqui é: Não sei por que cargas d’água as pessoas não assistem os PowerPoint.(nunca demora tanto tempo assim para falar que “não dá tempo”).

E o que eu digo ao Allan, sobre o que falávamos todo dia: Está vendo o que este texto está dizendo? é OBVIO!!. Agora me diz: PORQUE QUASE NINGUÉM FAZ ISSO?

Esse é o tipo de diferença absurda que falávamos outro dia. Espero que tenha sido um exemplo esclarecedor.

PowerPoint-Ridiculo(ou não):

“Uma linda idéia a ser imitada…”

Um dia, uma professora pediu aos seus alunos que fizessem uma lista dos nomes dos outros estudantes numa folha de papel, deixando algum espaço de baixo de cada nome. Depois lhes pediu que pensassem na coisa mais bonita que poderiam dizer a todos os seus colegas e escrevessem-na.

A professora utilizou o resto da aula para terminar o trabalho, mas na saída todos os estudantes entregaram as folhas.

Naquele sábado, a professora escreveu o nome de cada aluno numa folha separada, e acrescentou à lista tudo o que os outros tinham dito sobre cada um. Na segunda-feira seguinte, deu a cada um dos estudantes a lista com seus nomes. Logo após, a classe inteira estava sorrido.

“Verdade?” Cochichavam. “Eu não sabia que era tão importante para alguém! E não pensei que agradasse tanto os outros”. Eram as frases mais pronunciadas. Ninguém falou mais daquelas folhas na classe e a professora não soube se os meninos tinham discutido esta lição com os pais, mas não tinham importância: o exercício tinha alcançado o seu objetivo. Os estudantes estavam contentes com eles mesmos, e tornaram-se cada vez mais unidos.

Muitos anos depois, um dos estudantes foi morto no Vietnam. E sua professora participou do funeral. Nunca tinha visto um soldado no caixão antes daquele momento: parecia tão bonito e tão maduro… A igreja estava cheia de amigos do soldado. Todos os amigos que o amaram aproximaram-se do caixão, e a professora foi a última a despedir-se do cadáver.

Um dos soldados presentes perguntou-lhe: “A senhora era a professora de matemática de Mark?” Ela acenou com a cabeça, depois que ele contou que “Mark falava muito dela”. Depois do funeral, muitos dos ex-colegas de classe de Mark foram juntos refrescar a cabeça. Os pais de Mark estavam lá, esperando obviamente para falar com a sua professora.

“Queremos mostrar-lhe uma coisa”,disse o pai, tirando a carteira do bolso. “Acharam na jaqueta do Mark quando foi morto. Nós pensamos que poderia reconhecer isso. Abrindo a carteira, tirou com atenção dois pedaços de papel que tinham sido obviamente dobrados, abertos e reabertos muitas vezes.

A professora soube ainda antes de olhar que aquelas folhas de papel eram aquelas nas quais os colegas de classe de Mark tinham escrito todos os elogios. “Muito obrigada por ter feito isso”, disse a mãe de Mark.”Como pode ver, o Mark preservou-o como um tesouro. Todos os ex-colegas de Mark começaram a aproximar-se.

Charlie sorriu timidamente e disse: “eu ainda tenho minha lista. E na primeira gaveta da escrivaninha em casa”. A esposa de Chuck disse que o marido tinha lhe pedido que pusesse no álbum de casamento e Marylin acrescentou que o seu foi preservado no seu diário. Vicky, outra companheira, abriu a agenda e tirou a sua lista um pouco estragada, mostrando-a ao grupo.”Trago-a sempre comigo e penso que todos nos a temos guardada”.

Naquele momento a professora sentou-se e chorou. Chorou por Mark e por todos os seus amigos que não o veriam mais.Há tantas pessoas no mundo que por vezes esquecemo-nos que a vida um dia acabará, e não sabemos quando isso acontecerá. Fale para as pessoas que ama que são especiais e importantes para si. Fale isso antes que seja muito tarde.

Inclusive, já li vários PowerPoint sobre “professoras” e “alunos”. E muitas vezes pensei até que SE existisse mesmo as “professoras” desses powerpoint “ridiculos”, se cada um tivesse uma dessas, o mundo seria um pouco melhor.

E se estas tantas pessoas que não acham isso óbvio, tivessem uma professora dessas (que acredito que tenha sido inventada mesmo) , talvez pelo menos desconfiasse. Não que a tenha mudado completamente, mas alguma transformação ocorreria. Ainda mais no momento em que se tem uma professora: nos anos mais lindos e mais importantes da sua vida.

Gosto dos PowerPoint que envolvem morte também. E esse teve morte E professora. Gostei muito mesmo. Não tenho vergonha de dizer. Pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou, pertence a morte. E as pessoas têm medo da morte.

Mas professas não ensinam essas coisas. Nem pais, nem mães, nem amigos. Essas coisas se aprendem sozinho. Ou não.

É uma pena que parece que ninguém aprende.A vida ia ser tão mais fácil. E as pessoas, muito mais felizes. Que na verdade acho que recursivamente tornaria a vida mais fácil.

Quem dera se pelo menos tivéssemos capacidade de conservar amigos de escola. Porque amigo não se faz, se escolhe, se cultiva. E duvido também que algum professor, seja lá de onde, vá no seu enterro.

Talvez se as pessoas lessem mais PowerPoint “ridículos” pudessem pelo menos descobrir que existem coisas no mundo a se aprender. Que ninguém nunca te ensinou. Pelo menos agora ele está em modo texto na internet.

E se alguém se identificar, pode ter certeza que não é pessoal. É mundano mesmo.

E depois tem gente que acha PowerPoint-idiotas ridículos.

Quer saber, para mim quem acha essas coisas ridículas são as pessoas que nem sabem que essas coisas existem. Pessoas que não pensam em sua existência.

Inclusive descobri numa conversa, ontem, que existem pessoas que nunca nem pensaram nessas coisas na vida inteira.

Também, a maioria delas estão muito ocupadas com diversas outras coisas. Essas sim, idiotas. Seja lá juntar dinheiro para resto da vida ou que o Gerente Joãozinho do Banco Real está no lugar do Maricoto do Santander porque sei lá quem comprou não sei que outro banco e todo mundo vai ser mandado embora.

Ah, claro que elas têm medo da morte! Se elas morrerem, como é que vão gastar seu dinheiro que passou economizando a vida toda.

Embora “liberdade”, assim como “felicidade” sejam conceitos imaginários e inventados pelo homem. Agora eu imaginariamente me sinto livre para escrever o que eu quiser.

Pago caro por esta pseudo-liberdade. Todos os dias.

Luciana Keiko,
viagens existenciais no mundo de Keika.

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