E se todas as nossas partes deturpassem, torcessem, revirassem a realidade?
Afinal, o que é essa “realidade”? Quem é que pode dizer qual realidade foi deturpada?
” Quando Avalokiteshvara praticava profundamente a perfeição da sabedoria, viu claramente que os cinco agregados – forma, sensações, percepções, vontade, consciência – são vazios. Assim libertou-se de todas as tristezas e sofrimentos.
Ó Shariputra, a forma não é diferente do vazio, o vazio não é diferente da forma. A forma é somente o vazio, o vazio é somente a forma. As sensações, percepções, vontade e consciência também são assim.
Ó Shariputra, todos os fenômenos são vazios. Não aparecem nem desaparecem, não são impuros nem puros, não crescem nem diminuem. Portanto, no vazio não há forma, sentimento, percepção, vontade, consciência; não há olho, ouvido, nariz, língua, corpo, mente; não há cor, som, odor, sabor, tato, fenômeno; não há o reino da visão até o reino da mente; não há a ignorância e o fim da ignorância até a velhice-e-morte e a fim da velhice-e-morte; não há o sofrimento, a origem, a cessação, o caminho; não há sabedoria, nem ganho, nenhum ganho.
Sem o que ganhar, o Bodhisattva permanece na perfeição da sabedoria e não tem obstáculos em sua mente. Sem obstáculos e, portanto, sem medo, ele fica bem distante das delusões; isto é o nirvana. Todos os Buddhas dos três tempos, através da perfeição da sabedoria, alcançam assim a iluminação insuperável, completa e perfeita.”
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