O EXERCÍCIO DA VIRTUDE É UM SOBERANO REMÉDIO CONTRA AS PAIXÕES

Ora, uma vez que essas emoções interiores nos tocam mais de perto e têm, por conseguinte, muito mais poder sobre nós do que as paixões que se encontram com elas, e das quais diferem, é certo que, conquanto nossa alma tenha sempre do que se contentar em seu intimo, todas as perturbações vêm de outras partes não dispõem de nenhum poder para as que prejudica-la, mas servem antes para aumentar sua alegria, pelo fato de que, ao constatar que não pode ser ofendida por elas, conhece com isso sua própria perfeição.

Para que nossa alma tenha assim do que estar contente, não necessita senão seguir precisamente a virtude.

Quem quer que tenha vivido de tal maneira que sua consciência não possa recriminá-lo de nunca ter deixado de fazer todas coisas julgou serem as melhores (que é aquilo que chamo aqui seguir a virtude), recebe com isso uma satisfação que é tão poderosa para torná-lo feliz, que os mais violentos esforços da paixão nunca têm poder suficiente para perturbar a tranquilidade de sua alma.

"Descartes, As paixões da alma. pág 116, artigo 148 : O exercício da Virtude"